A Matriz vibracional [portugûes]

 

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Capítulo 1.                 A Matriz vibracional

A chuva atira-se com fúria sobre os telhados da cidade ainda envolta nas trevas. Clarões prateados dos relâmpagos rasgam a noite iluminando os passos da mulher que corre disparada ao longo da pista de bicicletas na margem do lago. A longa saia de flores colou-se-lhe contra o corpo evidenciando o porte esguio. Com um gesto irritado levanta o tecido tanto quanto baste para libertar os joelhos, facilitando-lhe os movimentos. Os longos cabelos cor de âmbar apanhados sobre a nuca soltam-se para os lados ao ritmo da sua passada rápida.
O odor da água é penetrante e insinua-se poderosamente nas narinas da mulher. Regos espumosos transportam ao longo do bordo dos passeios folhas arrancadas aos ramos das árvores pela força do vento. Tudo está envolto na obscuridade, todas as formas parecem querer ganhar vida sempre que um relâmpago profana a abóbada celeste. As árvores emergem como espectros do outro mundo, agitados pela fúria dos elementos. São aqueles momentos em que o humano se relaciona com o divino, momentos de medo profundo e atávico em que o Homem compreende a desmesurada força da Natureza!
Aparentemente todos dormem colados ao sono, enquanto vivem sonhos que representam uma variedade de vida paralela na qual qualquer um pode perder-se incondicionalmente. É a frustração que gera, por vezes, a angústia dos pesadelos, nos quais, deixando cair todas as barreiras, se repete em linguagem onírica aquilo que o obceca no quotidiano.
Mas não é assim para todos: há pessoas que conscientemente sabem transportar-se de uma dimensão para outra, utilizando a força psíquica para entrar neste mundo paranormal onde podem manobrar a própria existência. Esta faculdade que se acreditava aparentemente reservada aos discípulos das práticas esotéricas ocultas, revelaram-se como dotes inatos dos “sonhadores”.
Estes “sonhadores”, vulgarmente chamados Annwyn, são constituídos pela mesma estrutura molecular humana com a finalidade de se protegerem camuflando a sua presença entre nós, mas o poder da sua mente é incomensurável.
Os Annwyn começaram a chegar em grande número ao planeta Terra por volta do final do segundo milénio. De início, nos anos 70, foram tratados como casos anómalos, por vezes sujeitos a verdadeira tortura psicológica, confinados em hospitais e analisados mediante a administração de psicofármacos. Tratava-se de crianças irrequietas e sempre irascíveis que tornavam um verdadeiro inferno a vida dos seus pais. Crescendo, tornavam-se alunos hiperactivos e sempre no centro de conflitos e disputas. Sobre eles tinha-se tratado profundamente e escrito miríades de teses, cada uma mais estranha do que a outra. Só num segundo tempo, graças à descoberta de códices antiquíssimos se compreendeu o verdadeiro motivo da sua presença no planeta Terra: ajudar os seres humanos a progredirem espiritualmente e talvez a salvá-los do cataclismo planetário eminente, predito no final da Antiguidade.
A mulher que persegue o seu destino é, na realidade, uma deles: uma Annwyn e o seu nome é Chrysalis, para os amigos Chrisa. Chrisa pára por alguns segundos olhando para trás, respira com esforço e percebe a sua presença. Está ciente de que o seu perseguidor não lhe dará trégua enquanto não sair da fase R.E.M. [1]
Por uma fracção de segundo perde o equilíbrio ao pousar o pé sobre qualquer coisa de escorregadio; surpreendida, baixa-se para o chão e descobre um estranho artefacto não muito grande. Arriscando o perigo de perder a vantagem que a separa do seu perseguidor, mas dominada pela típica curiosidade dos Annwyn, Chrisa recolhe o objecto do chão sem sequer verificar a sua natureza e guarda-o depressa na bolsa que trás a tiracolo.
Cataratas de água inundam a pista asfaltada de cor verde para bicicletas que, como uma serpente venenosa, a leva mais para leste, até ao porto. Não há vivalma em redor naquela inoportuna hora e falta pouco para a alvorada começar a iluminar o céu do oriente, apagando os terrores da noite.

***Matrix Motus***

No barco, certamente ainda a dormir tranquilo e completamente ignorante do que está acontecendo no mundo dos sonhos dos Annwyn, encontra-se o seu irmão Joshua. Chrisa salta com alguma dificuldade a vedação da barreira da doca e lança-se num último esforço ao longo das pranchas que lhe recordam o teclado dum velho piano, tanto que brilham à luz sinistra das lâmpadas. A curiosidade, a que geralmente a jovem não sabe resistir, é sempre mais forte do que aquela imensa sabedoria que deveria ser inerente à sua natureza. Para ela é um verdadeiro dilema não saber moderá-la ao lidar com a incógnita das decisões arriscadas.
“Devo parar de uma vez por todas! Mas porque não posso levar uma vida normal como ele…?” Chrisa baixa-se para dar um beijo na testa do irmão profundamente adormecido.
“Maldito seja quem nos deixou por herança esta Missão: os humanos necessitarão forçosamente da nossa presença para progredir na sua evolução espiritual?”
A rapariga avizinha-se do seu invólucro físico, que jaz inerte e enrolado na posição fetal; tira do ombro a bolsa e joga-a ao chão. A vibração no ar à volta altera-se assumindo uma coloração dourada muito intensa: a energia dos dois campos -o astral e o material- unem-se quando a Annwyn reentra na sua estrutura física.
Ao nascer do novo dia Joshua acorda de bom humor. Sobe para a coberta do barco à vela, observa as cordas que fixam a embarcação ao ancoradouro, depois, correndo, vai para terra firme.
– Hei, Mário! Estás pronto para a regata de amanhã? Conta que desta vez a minha irmãzinha e eu vamos dar-te água pela barba! –
Joshua olha para o ancião com olhos brilhantes de malícia, enquanto segura o guiador da bicicleta eléctrica. Ao longo do lago já há muita gente, turistas e moradores da cidade que se presenteiam com um relaxante passeio matinal. Um dia aparentemente como outros: o ar está carregado do perfume das flores, uma ligeira brisa faz tilintar os fios metálicos dos barcos ancorados, enquanto os primeiros raios de sol acariciam com calor formigante a paisagem.
Alguns homens da Esquadra Experimental acompanhados dos seus enormes felinos, semelhantes ao cruzamento de um jaguar com um lince, certamente não passam despercebidos no seu uniforme azul e prateado. Detiveram um par de indivíduos e começam a verificar os documentos de identidade antes de os revistar.
Mário deita uma mirada significativa em direcção a Joshua; o seu rosto queimado pelo sol não trai a desaprovação, mas não faz qualquer comentário sobre os recém-chegados. Finge estar demasiado empenhado a enrolar uma corda e, aproximando-se do rapaz, sussurra:
– Enxerga-te, pequeno lobo de água-doce! Não te iludas que tu e Chrisa estejam a ponto de me vencer; sou demasiado astuto, eu! A prova é que, em vez de dormir ou de vaguear de bicicleta sem horas nem destino, eu velejo para treinar um pouco. E lembra-te do velho ditado: ri melhor quem ri por último. Vá, ligeirinho: corre a comprar pão fresco ao Fabrício… antes que todos os croissants de chocolate estejam vendidos. Glutão, que não sabes outra coisa! Vemo-nos para comer massa e batatas ao meio-dia? Diz à tua irmã para se encarregar dos preparos, pois é uma grande cozinheira… dos doces trato eu! –
Joshua penteia os cabelos escuros ligeiramente ondulados, os seus olhos, luminosos como água de rio brilhando ao sol, pousam na figura do amigo. Então faz uma careta divertida ao ancião, que responde com um movimento da cabeça em direcção aos agentes de autoridade e pousa o indicador sobre os lábios. Não havia escapado ao rapaz que os da força de ordem haviam metido no SUV blindado as pessoas detidas:
– Brrr… àqueles tipos não os voltaremos a ver. –
Depois, continuando virado para Mário, com uma expressão excitada:
– Como é? Para almoço trazes mais daquelas mistelas prodigiosas? Santo Egídio, ainda não digeri aquela poção de cuja receita dizes ser obra dos antigos Druidas. Tudo menos creme de alperce! Okay. Que seja a massa. Encontramonos na Avalon’s Mist pelas 13:00. –
O rapaz senta-se sobre a sela da bicicleta e afasta-se rapidamente, pedalando a bom ritmo como a provar ao ancião amigo que também ele se prepara para a regata.

[1 Rapid eye movement, mais usualmente conhecido pelo acrónimo R.E.M., é o ‘movimento rápido dos olhos’ que acontece durante uma fase do sono associado a outras alterações corporais fisiológicas. A fase R.E.M., também chamada sono paradoxal, é acompanhada de sonhos.]

Tradução de    #pedrodealmeidafreire

 

The Vibratory Matrix

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(Chapter 1)

The rain pours over the rooftops of the city still enveloped in darkness. The silvery flashes of lightning, ripped through the night sky, illuminate the steps of the woman who runs at breakneck speed along the bike path that extends beside the lake. The long flowered skirt is glued to her body, highlighting her thin figure. With an angry gesture of her hands, she raises the fabric just enough to clear the knees to facilitate her movements. The long amber hair, collected over the nape, wriggles to the rhythm of her quick steps.

The smell of the water penetrates everything, with arrogance, creeping into the nostrils of the woman. There are sparkling rivulets along the edges of the sidewalks carrying a few leaves torn from the branches of the nearby trees by the force of the wind. Everything is enveloped in darkness; every form seems to come to life whenever a flash profanes the sky. The trees rise like ghosts of other worlds, driven by the fury of the elements. Are those the moments where the human is related to the divine, those moments of profound atavistic fear in which man realizes the tremendous force of Nature?

Apparently, everyone is asleep, living dreams representing a kind of parallel life in which each one finds themselves unconditionally. It is the frustration, which sometimes generates anxiety and then becomes nightmares in those who, dropping all barriers, find themselves in a dream-like sketch that involves them in daily life.

Nevertheless, it is not like that for everyone: there are people who consciously know how to teleport from one dimension to another, psychically forcing entry into the paranormal world, where they can manipulate their very existence. These faculties are believed to be reserved only for the followers of esoteric occult practices but later were revealed as innate qualities of the “dreamers”.

These “dreamers”, commonly called Annwyn, although their molecular structure is exactly equal to ours to protect them by disguising their presence among us, have immeasurable powers of the mind.

The Annwyn began to arrive in large numbers on planet Earth around the end of the second millennium. Initially, beginning in the Seventies, they were treated as anomalous cases, sometimes subjected to real psychological torture, confined in hospitals and sedated through the administration of psychotropic drugs. They were always restless and peevish children who made life a living hell for their parents. Then, growing up, they had become hyperactive students and always at the center of conflicts and disputes. There have been a myriad of theses written about them, each one crazier than the last. Only later, at the discovery of ancient codes, was the real reason for their presence on planet Earth recognized: to help human beings to grow spiritually and then escape from the imminent global catastrophe predicted since ancient times.

The woman who pursues her destiny is in fact one of them: an Annwyn and her name is Chrysalis, Chrisa to her friends.

Chrisa stops for a few seconds, looking at her back. She is breathless and she feels his presence. She is aware that the pursuer will not give her a break until her exit from the REM phase.

She loses her balance for a split second, stepping on something slippery and, full of surprise, she bent toward the ground, seeing a strange, relatively small artifact. Despite the danger of losing the advantage that separated her from the pursuer, with the typical curiosity of the Annwyn, Chrysalis collects the object from the ground without even verifying its nature, hurriedly put it in the bag that she carries on the shoulder.

The Cascades of water flooded the strip of asphalt that was the cycling path, painted green, like a poisonous snake, streaked further east, towards the port. There was no living soul around at that inappropriate hour; soon the dawn will start to illuminate the sky from the East and erase the fears of the night.

*** Matrix Motus ***

On the boat, definitely still blissfully asleep and completely unaware of what is happening inside the dream world of an Annwyn, is Chrysalis’ brother, Joshua.

Chrisa jumps over the barrier of the dock and launches herself in the last effort along the boards that look like the keyboard of an old piano, so much they shine in the scary glow of lightning.

However, the curiosity, which most of the time the young woman cannot handle, is always stronger than the immense wisdom that should be inherent in her being. For her, it is a real dilemma of not being able to refrain from the uncertainty of most often-risky decisions.

“I must stop, once and for all! But why can’t I lead a normal life, like him?”

Chrisa bent and kiss on the forehead her brother asleep.

“Damn those who have bequeathed us this Mission: is it possible that humans should be forced to require our presence in order to progress in their spiritual evolution?”

The woman is nearing her physical shell, which is lying helplessly curled in a fetal position; she slips her bag from over her shoulder and throws it on the ground. The vibration in the surrounding air is altered, assuming a very intense golden color: the energies of the two camps – the astral and the material – gathering while the Annwyn falls into her physical structure.

 

At dawn, Joshua wakes up in a good mood. He goes on the deck of the sailboat, checks the ropes that moor the boat, then, running, he reaches the shore.

“Hi, Marius! Are you ready for tomorrow’s race? Look, this time my sister and I will give you a hard time!”

Joshua watches the old man with eyes that sparkle with cunning, while he grabs the handlebars of the electric bicycle. Along the lake, there are already a lot of people, tourists, and inhabitants of the village, taking a relaxing morning walk.

A day seemingly like any other: the air is charged with the perfume of flowers, a gentle breeze rattles the iron rigging of the moored sailboats, as the first rays of sunshine caress the landscape with tingling heat.

Some men of the Experimental Team, accompanied by their enormous cats resembling a genetic mongrel between a jaguar and a bobcat, are not unnoticed because of their blue and silver uniforms. They stop a few individuals and are about to verify the identity papers before carrying out a body search.

Marius glares with a significant look in the direction of Joshua; his face scorched by the sun does not betray his disapproval, but he makes no comment on the newcomers. He pretends to be too busy to curl up a rope and, approached the boy.

“Watch out, small fresh-water wolf,” he whispers, “I don’t believe that you and Chrisa are capable of beating me, I’m far too smart! The proof is that instead of sleeping or wandering everywhere with the bicycle, I sail to train a bit. Moreover, remember the old saying, ‘laughs best who laughs last’. Come on up, run to get fresh bread at Fabrizio’s shop before all the chocolate croissants are sold. Wolverine that you are! See you for a bit of pasta and potatoes at noon? Ask your sister to get busy in the kitchen, she’s a good cook, and I’ll take the sweet goody!”

Joshua readjusts his slightly wavy black hair, his eyes, bright as a pool of sunlit river water, rests upon the figure of his friend. Then he returns an amused grimace to the elderly man, who makes a sign with his head, laying a finger over his lips, in the direction of the agents. It had not escaped the boy that those of the security forces had loaded the arrested people onto the armored SUV.

“Brrr… We won’t see those guys again.”

Then, he continues turning to Marius with an excited look:

“Well? For lunch, will you bring some more of that wondrous concoction? Holy God, I still have not digested the sort of potion whose recipe claims to be the work of the ancient Druids. Anything except apricot’s cream! Okay. Let us go for “pasta and potatoes”. We’ll see each other at 1:00 PM on the Avalon’s Mist.”

The young man jumps on the saddle of his bike and moves away quickly, pedaling at a good pace as if to prove to his elderly friend that he actually trains for the race as well!

[1] Rapid eye movement is indicated most frequently by the acronym REM, which is the “rapid eye movement” that occurs during a phase of sleep accompanied by other bodily physiological alterations. REM sleep is also called paradoxical sleep and is accompanied by dreams.

 

I segreti di Shannonbridge

(estratto dal nuovo romanzo “La Matrice Vibrazionale”)

Hator ed i due ragazzi stavano scendendo nello scantinato della villa quando il telefonino del giovane vibra. Joshua guarda la sorella e l’avvocato ma senza dire nulla, quest’ultimo sbotta:
“Rispondi pure. Lo so che è il cellulare non collegato a Unynetweb… tranquillo Joshua. Magari è qualcosa d’importante, guarda almeno chi ti sta chiamando.”
Sbofonchiando qualcosa, il ragazzo leva dalla tasca interna della giacca il telefonino e guarda il display. “È Martino, il pilota. Che faccio? È lui che ha dato a Escobar il pacchetto con questi strani cosi.”
“Dai, non fare lo scemo, rispondigli!” ripete con tono incavolato la sorella, “magari gli è accaduto qualcosa di grave.”
Tirando un forte sospiro, il giovane risponde alla chiamata. “Ehi Martino come butta?”
Dall’altro capo della linea per alcuni secondi non si sente nulla, poi la voce un po’ tremula del pilota finalmente risponde.
“Ciao Josh. Sono qui con… il Comandante Fenix. In effetti è lui che mi ha detto di chiamarti. Sei con tua sorella? Avete ricevuto il pacchetto da Escobar?”
Joshua rimane anche lui per un attimo in silenzio, poi guardando Hator risponde all’uomo.
“Di te possiamo fidarci, sei dalla nostra parte. Siamo qui da Hator, ma non riferire nulla a Fenix, volevamo appunto cercare di scoprire qualcosa in più in merito alle cose che c’erano in quel pacco che ti ha consegnato Ualtar a Shannonbridge. Ma tu che ci fai in compagnia dello… sbirro?”
Martino si passa la mano sinistra tra i capelli spostando una ciocca che gli era finita negli occhi, poi si schiarisce nuovamente la voce prima di parlare.
“Diciamo che il Comandante ha inscenato una perquisizione, imbarazzante davvero, ma mi ha detto che avevano ricevuto una soffiata e non potevano ignorarla. Poi gli ho raccontato di Escobar, ma lui già sapeva tutto, e del pacchetto che vi ha consegnato. Siamo qui fuori l’hangar, c’è quell’altro della Squadra, quello col quale… beh, il suo complice…”
“Ehei, attento alle scemate che racconti! Guarda che ti faccio finire davvero dietro alle sbarre per diffamazione.” Sbotta con un certo fastidio Sergio, mentre entrambi i linuari, sentendo il tono di voce alterato del loro curatore, si mettono a soffiare e brontolare.
“Dai, scherzavo! Ma per favore, tienimi distanti dal fondo schiena le due belve. Hanno fatto colazione? Mi sembrano affamate, con tutta quella bava che fuoriesce dai lati della bocca.”
Poi interviene Fenix ridacchiando: “La bava è perché ti vedono bello grassoccio e si immaginano di poter fare un lauto banchetto. È meglio se la piantate entrambi di pizzicarvi e tu, Martino, non montarti la testa solo per farti figo davanti ai due ragazzi… mentre tu, Sergio, cerca di tenere il tuo contegno. In fondo il pilota ha ragione: sei il mio complice in affari. Se a me capita qualcosa, ti tiro sotto.”
Quest’ultima frase, detta con quell’enfasi tipica del capo che cerca di farti passare un messaggio chiaro, fa rabbrividire l’ufficiale. Sergio si allontana di qualche metro con Selene e Solaris, sussurrando ad entrambi i linuari qualcosa per farli calmare.
“Dai, passami il cellulare che ci parlo io col ragazzino.”
Martino allunga la mano destra e consegna il congegno al Comandante, poi si ficca subito la mano nella tasca del giubbotto.
“Ciao Josh, sono il rompipalle. Sei sulla barca con tua sorella? Dovremmo trovarci…”

San Pietro e Paolo

Il giovane fissa con lo sguardo smarrito prima Chrisa e poi Hator, questi si mette il dito indice sulle labbra e scuote leggermente la testa. Per una frazione di secondo pensa a una scusa credibile: lui è l’esperto delle scappatoie per cercare di prendere tempo.
“No, sono da solo, sto facendo una passeggiata a piedi. Ho dormito male e ho un po’ di emicrania. Perché vuoi che ci troviamo? È a causa di Martino? O di quell’altro tizio, Escobar?”
Fenix si sfrega vigorosamente il naso, evidentemente non sa come abbordare la discussione e preferirebbe fosse il ragazzo a offrire una scelta. Il vento ora sferza con maggiore vigore e le nuvole si sono addensate creando una barriera che da oriente si muove velocemente nel cielo oscurando il sole del mattino.
“Cribbio, sta arrivando un bel temporale, ragazzo. Tra un po’ ti prendi una lavata e, perdona se m’intrometto, è anche meglio che ritorni sulla barca per controllare che ogni sartia e scotta sia bene tirata… sai com’è, sul lago, quando le onde iniziano a strapazzare la vostra barca a vela. Io preferisco non venire sulla vostra barca, soffro un pochino di naupatia.”
Sergio, si mette la mano davanti alla bocca quasi ad imitare una persona che sta per vomitare, poi suggerisce senza tanti preamboli: “Capo ad Ascona abbiamo un lago e non penso che si possa arrivare a stare tanto male per il beccheggiare di una barca.”
Fenix gli infila lo stivale nello stinco prima di riprendere a parlare con Joshua, cambiando tono di voce, per mettere più enfasi all’urgenza.
“Non posso vedervi in Centrale, per ovvie ragioni. Cosa mi puoi proporre?”
Colto alla sprovvista, il ragazzo non sa più che balla raccontare e butta lì la prima proposta che gli viene in mento ma con fare poco credibile.
“Troviamoci in chiesa… sì, dai, nella chiesetta di San Pietro e Paolo, quella vicino alla Casa Serodine. Ai tuoi sbirri non verrà in mente d’andare a confessarsi, e nessuno ci darà fastidio perché tra poco inizierà a piovere. Sei d’accordo?”
Joshua strizza l’occhio a Chrisa che s’è fatta livida in viso, mentre Hator si trattiene dal mettersi a ridere di gusto al solo pensiero di vedere il Comandante Fenix entrare nella chiesa, che dista un centinaio di metri dal suo studio nella parte vecchia di Ascona.
Dall’altro capo del cellulare, Joshua sente un paio di parole tutt’altro che cristiane, poi Fenix sbofonchia: “Okay. Ci troviamo lì quando avrò finito il mio turno, verso le 11:00. Possibile che non ci possa essere un altro posto discreto? Perché proprio in chiesa? Ma guarda un po’ che idee balzane che hai per la testa. Se ci fossero ancora dei preti e delle celebrazioni di riti liturgici, non ci andresti. È già tanto che i luoghi di culto non sono stati tutti chiusi al pubblico dal P.U. Allora a più tardi e vedi di prender su anche Chrisa. Vi voglio vedere tutti e due, inteso?”
Joshua cerca di restare serio, cosa difficile avendo Hator dirimpetto con quasi le lagrime agli occhi: “Certo Fenix. Saremo puntuali alle 11:00 nella chiesa di San Pietro e Paolo.”
Il ragazzo si rimette il telefono nella tasca interna della giacca, poi, ridendo di gusto, racconta ogni cosa alla sorella e al loro protettore. L’avvocato scuote la testa aggiungendo un paio di gesti con le mani: “Certo che l’inventiva non ti manca, ragazzo mio! Quel povero Comandante Fenix avrà altro filo da torcere. Mi chiedo perché vi vuole vedere… in fondo non credo che Martino avesse più informazioni in merito al contenuto del pacchetto di Ualtar, e Fenix lo sa che voi due non combinate pasticci con merce proibita dal P.U. A parte il cellulare, o mi sbaglio?”
Chrisa si morde la punta del pollice, poi allontana una ciocca ribelle dagli occhi. Guarda con occhi inquietanti Hator, prima di rispondere quasi sottovoce:
“Non dovevi farci vedere qualcosa d’importante giù nello scantinato? Poi vediamo chi di noi ha cose proibite da occultare…”
L’avvocato ha un nodo alla gola, ma non ribatte immediatamente. Mentre Joshua parla al tele-fono con Alessandro, Hator trattiene la giovane per il braccio con una certa forza, gesto che genera una smorfia sul viso di Chrisa.
“Ciò che nascondo, è il lavoro di molti anni, Chrysalis. Studi che ho portati avanti con tuo pa-dre all’insaputa di tua madre. Certo, ognuno di noi ha i suoi segreti, Kalistos non vi ha ancora raccontato tutto in merito alle facoltà degli annwyn, o mi sbaglio? Chissà se vi spiegherà qual è il nostro vero potenziale e cosa possiamo riuscire a fare con esso. Tu sei solo sui primi gradini di una lunghissima scala; cerchi quei maledetti Codici, nevvero? Ora che hai la Matrice Vibrazionale molte altre porte ti si possono aprire. Chiedi a Kalistos delle Congreghe e della Veneranda, sono curioso di sapere cosa ti risponderà…

”Una strana vibrazione s’insinua tra l’uomo e Chrisa, mentre lo sguardo di Hator diventa cristallino e inquietante. Fortunatamente l’avvocato è interrotto dal ragazzo: “Hator, se dobbiamo trovarci con Felix alle 11:00, è meglio se lasciamo i sotterranei per un’altra volta. Ho chiesto ad Ale di controllare lui la Avalon’s Mist e di verificare che tutti i boccaporti siano chiusi, visto che sta arrivando un brutto temporale. Non credo che tu voglia venire con noi; ma prima vorrei passare a riprendere qualcosa che ho lasciato a Cyrus, uno dei due scemi che s’è fatto prendere a pisciare da quelli delle S.S. e che poi l’hanno portato dentro.”
“Guardate di non mettervi anche voi nei pasticci.” Ribadisce l’avvocato, poi gettando un’occhiata penetrante a Chisa, aggiunge: “avete una buona predisposizione a non osservare certi codici deontologici, ce l’avete nel DNA. Fatemi sapere cosa voleva Fenix, la cosa mi ha incuriosito parecchio, di certo non è interessato a prendere lezioni di vela per partecipare ad una regata.”
Chrisa che rabbrividisce e si sente lo stomaco sottosopra. Questo è il lato oscuro del loro ami-co, quello che a lei proprio non piace. Odia i misteri e le persone che si comportano in modo criptico le incutono rispetto, ma oramai si è rassegnata e cerca di non metterci troppo peso. Ritorna lo sguardo bieco, poi ergendosi sulla punta dei piedi, gli dà un bacio sulla guancia.
“Non ti sottovaluto Hator. Non l’ho mai fatto, e nel libro-diario che mi hai dato, so che dev’essere celato molto di più che simboli matematici e scarabocchi in lingue antiche. Per quanto concerne Kalistos… ogni cosa a suo tempo!”
L’avvocato li accompagna fino alla porta d’entrata e li segue con lo sguardo lungo il sinuoso viale rigoglioso di piante che dalla villa conduce fino alla cancellata di ferro all’inizio della proprietà.

The Final Judgment

We are few… very few since we can’t be conceived in a “normal way”. Actually, our mothers are “diviners” and we Anwynn we do choose our genetic parents through a special karmic procedure.
We are here to help humankind to evolve to a higher vibration, and we should be supported by the Unified Power. But there are some opponents, devilish forces trying to take the power… again.  Malevolent beings ready to bring into the world a new war. If the occurred catastrophe in 2022 was horrible, what is awaiting humanity is the Armageddon, the Final Judgment.

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copyright by cnquistador Deviant Art

Siamo pochi… pochissimi poiché non possiamo essere concepiti in un “modo normale”. In realtà, le nostre madri sono “divinatrici” e noi Anwynn scegliamo i nostri genitori genetici attraverso una speciale procedura karmica.
Siamo qui per aiutare l’umanità a evolvere verso una vibrazione più elevata e dovremmo essere sostenuti  dal Poter Unificato. Ma ci sono alcuni oppositori, forze diaboliche che cercano di prendere il potere… di nuovo. Esseri malevoli pronti a portare nel mondo una nuova guerra. Se la catastrofe avvenuta nel 2022 fu orribile, ciò che attende l’umanità è l’Armageddon, il Giudizio Finale.

 

The new book: The Vibratory Matrix

dal web  http://photonshouse.com

The adventure of Chrysalis continues

Be ready!

The protagonists find themselves in front of a new device that, combined with the Vibratony Matrix, would allow its operation.
Lord Warden has found in Beckett a new ally, evil and ready for any criminal act to hinder that the club composed of young annwyn can follow the advice of Magister Kalistos.
Even the commander Fenix does not remain with his arms folded. With the trusted Sergio, he decides to meet with Hator Var Darquen de Aguillar. The book that the latter had left him in “custody” before leaving, must absolutely be able to serve to make order among the high ranks of the Unified Power.
Surprises will not miss, the twists will be many and unexpected…

See you around!

 

wiadomosci.pl    http://photonshouse.com

L’avventura di Chrysalis continua

Siete pronti?

I protagonisti si ritrovano davanti ad un nuovo oggetto che, combinato con la Matrice Vibrazionale, permetterebbe il suo funzionamento.
Lord Warden ha trovato in Beckett un nuovo alleato, malvagio e pronto a qualsiasi atto criminale pur di ostacolare che il Circolo composto da giovani annwyn possa seguire i consigli del Magister Kalistos.
Anche il comandante Fenix non resta con le mani in mano. Col fidato Sergio, decide di trovarsi con Hator Var Darquen de Aguillar. Il libro che quest’ultimo gli aveva lasciato in “custodia” prima di congedarsi, deve assolutamente poter servire a fare ordine tra gli alti ranghi del Potere Unificato.
Le sorprese non mancheranno, i colpi di scena saranno tanti e inaspettati.

Volete seguirmi?

Presentation of the workshop CBI (Character Based Improvisation) ¦ Robert Marchand

Ciack

Since always, I ‘m interested in how to put into “action” the stories I write… short movie? TV series?
A couple year ago, with TFL Torino Film Lab, I had my first experience with the “scriptwriting” and all the nuances of misinterpretation of the plot aimed by the “creator of the story”.
As a writer, you may have some specific ideas how the characters of your story interact, you describe scenes and happenings in a vivid way, with great care of the details…
But at the moment of elaborating the story into a script for a movie, actually, everything may happen. From the better to the worst of the nightmares.
And this was the case: a disgusting experience with a young screenwriter too full of herself with bumpy ideas and without any consideration and respect of my will.
I dropped the deal, in the due time of the contract signed for a year.
I soon enough realized that, if I wanted the job done professionally and with an experienced scriptwriter, I should put on the table between 20.000.- / 25.000.- euros.
Alright, this is not on my schedule, since I like to use the small royalties I receive, to help shelters for animals or kids in need.
So I started looking around trying to get into this specific work of transmuting a book into a script.
And to do it in the best way, you need to learn quite a few important things about how a film director works, which type of way they use to get into action the actors and so on.
Thanks to Maria, I was able to attend the presentation of  R.Marchand Workshop, taking several notes… and start getting some clearer ideas about this huge world totally different from putting your feelings on a paper trying to capture the attention of your reader and make them dream!
I know it will take me a long time, I’m very patient… and will take small steps at a time.

 

Robert_Marchand_CBI

 

Sono da sempre interessata a come mettere in “azione” le storie che scrivo… Fare un film, un cortometraggio? Una serie TV?
Un paio di anni fa, con la TFL Torino Film Lab, ho avuto la mia prima esperienza con la “sceneggiatura” e con essa, ogni possibile sfumatura di erronea interpretazione della trama voluta dall’autore.
In qualità di scrittore, puoi avere idee specifiche su come interagiscono i personaggi della tua storia, puoi descrivere scene e avvenimenti in modo vivido, ponendo grande cura ai dettagli…
Ma al momento di elaborare la storia in una sceneggiatura per un film, in realtà tutto può accadere. Dal bene, al peggiore degli incubi.
E ques’ultimo è stato il caso: una disgustosa esperienza con una giovane sceneggiatrice troppo piena di sé e con idee sballate e senza alcuna considerazione e rispetto della mia volontà.
Sono quindi uscita dal contratto firmato, alla conclusione dell’anno d’impegno.
Presto ho capito che, se desidero un lavoro eseguito in modo professionale e con uno sceneggiatore esperto, avrei dovuto mettere sul tavolo tra 20.000 e 25.000 euro.
Sfortunatamente, questo non è nel mio programma, poiché mi piace usare le poche royalties che ricevo, per aiutare i rifugi per animali o bambini in difficoltà.
Così ho iniziato a guardarmi intorno cercando di entrare in questo mondo sconosciuto, con la specifica idea di imparare a trasmutare i miei libri in sceneggiature.
E per farlo nel modo migliore, bisogna imparare alcune cose importanti su come funziona il lavoro di un regista, quale modo egli utilizzare per pianificare ecc.
Grazie a Maria ho potuto assistere alla presentazione del Workshop di R.Marchand, prendendo varie note… per iniziare a chiarirmi le idee su questo enorme mondo completamente diverso da quello di mettere le tue idee su un foglio di carta, cercando di catturare l’attenzione del tuo lettore e per poi farlo sognare!
So che mi ci vorrà molto tempo, ma sono indulgente con me stessa!

 

On sale * in vendita

La prossima domenica 9 aprile, in occasione degli Eventi Letterari Monte Verità, il mio ultimo romanzo Il Segreto degli Annwyn (in lingua italiana e inglese) sarà in vendita sul Lungolago di Ascona.

Un’occasione da non perdere per chi desidera acquistare una copia autografata!

The next Sunday, April 9, at the Literary Events Monte Verità, my latest novel The Annwyn’s Secret (in Italian and English) will be on sale on the lake shore of Ascona.

An opportunity not to be missed for those who want to buy an autographed copy!